O ex‑presidente Jair Bolsonaro foi ouvido pela Polícia Federal (PF) na manhã desta segunda‑feira (2) na Penitenciária da Papuda, em Brasília, no âmbito de um inquérito que apura se ele cometeu crimes contra a honra do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao fazer declarações ofensivas, incluindo associação ao tráfico de drogas e xingamentos.
A investigação teve início a partir de um vídeo publicado por Bolsonaro em março do ano passado no YouTube, no qual ele sugeriu, sem apresentar provas, que Lula teria ligação com traficantes de drogas do Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, em referência a um episódio de campanha eleitoral. Bolsonaro também utilizou nas redes sociais termos considerados ofensivos e depreciativos — como chamar Lula de “cachaça”, “imbecil” e “canalha” — que são analisados como possíveis crimes de injúria e calúnia.
Durante o depoimento na PF, o ex‑presidente negou ter cometido delitos contra a honra de Lula e argumentou que suas falas faziam parte do exercício da liberdade de expressão e do debate político, comuns em democracias. Segundo sua defesa, não houve intenção de imputar crimes ao atual presidente, mas sim criticar posturas e decisões políticas.
Investigadores da PF também questionaram Bolsonaro sobre uma postagem no Twitter (agora X) em que ele repetiu expressões ofensivas, mas a defesa protestou contra o foco das perguntas relacionadas à rede social e Bolsonaro optou por não responder a esses questionamentos.
A apuração foi aberta a pedido do Ministério da Justiça e segue em andamento. A produção de conteúdo que liga Lula a facções criminosas já havia sido alvo de ações judiciais no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante a campanha presidencial de 2022, incluindo decisões que determinaram a remoção de postagens que propagavam associações falsas com o tráfico de drogas ou o crime organizado.
A oitiva de Bolsonaro ocorre enquanto ele cumpre pena na Papudinha — ala da Papuda onde está desde meados de janeiro — e segue sob custódia da Polícia Federal após decisão judicial. A defesa também tem protocolado pedidos de prisão domiciliar por motivos de saúde, que ainda aguardam análise pelo Supremo Tribunal Federal (STF).
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