Polícia conclui investigação sobre morte do cão Orelha, indicia 3 adultos e pede internação de um adolescente
A Polícia Civil de Santa Catarina (PCSC) concluiu, na noite desta terça‑feira (3), a investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, animal conhecido e querido por moradores da Praia Brava, em Florianópolis, que sofreu maus‑tratos e morreu no início de janeiro em decorrência dos ferimentos. Com o fim da fase investigativa, o inquérito será encaminhado ao Poder Judiciário, onde seguirá o trâmite legal previsto, conforme informou a corporação.
O relatório final da PCSC apontou que quatro adolescentes foram identificados como responsáveis pelas agressões que levaram à morte do animal, que sofria lesões graves e precisou ser submetido à eutanásia por veterinários devido à gravidade dos ferimentos. Nos autos, a polícia também pediu à Justiça a internação de um dos adolescentes envolvidos, medida socioeducativa equivalente à prisão em casos que envolvem menores de idade, dada a gravidade do ato.
Além disso, três adultos foram indiciados por coação de testemunha — crime que consiste em tentar intimidar ou pressionar pessoas que poderiam colaborar com a investigação. Segundo as apurações, esses indiciados são familiares dos adolescentes investigados e terão sua responsabilidade analisada durante o processo judicial.
O caso Orelha ganhou ampla repercussão nacional e mobilizou moradores, protetores de animais e ativistas em diversas cidades, que pediram justiça e maior rigor no enfrentamento a casos de violência contra animais. O cão vivia há cerca de dez anos na Praia Brava, onde era conhecido por frequentar a comunidade, acompanhar pescarias e participar da rotina local.
Ao longo das investigações, cerca de 24 testemunhas foram ouvidas e oito adolescentes foram investigados, com coleta de provas que incluíram imagens de câmeras de vigilância e análise de vestimentas usadas na data do crime. A Polícia Civil utilizou, inclusive, tecnologia avançada para cruzar localização e evidências que auxiliaram na identificação dos envolvidos.
O inquérito também abordou outro caso de agressão a um segundo cão, apelidado de Caramelo, que teria sido alvo de tentativa de afogamento pelos mesmos suspeitos — embora esse episódio tenha tido desfecho diferente, já que o animal conseguiu escapar e foi posteriormente adotado por um delegado que atuou no caso.
Por envolver menores de idade, os processos relativos aos adolescentes seguem em segredo de Justiça, conforme as normas que regem esse tipo de apuração. A morte de Orelha — que enterneceu moradores e ganhou grande repercussão nas redes sociais — voltou a colocar em discussão, no meio jurídico e na sociedade civil, a aplicação de medidas socioeducativas e a eficácia de políticas de proteção animal no Brasil.
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