Nivaldo Lima
Fim da escala 6×1 pode elevar taxas de condomínio em até 15%, alerta setor
São Paulo Agora
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou que o governo federal pode encaminhar ao Congresso Nacional, em regime de urgência, um projeto de lei para extinguir a jornada de trabalho 6×1 — modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um.

Segundo o ministro, a medida poderá ser adotada caso o debate sobre o tema no Legislativo não avance na velocidade considerada adequada pelo governo. A possível mudança tem provocado discussões em diferentes setores da economia, que defendem uma análise mais aprofundada sobre os efeitos da proposta.
Condomínios podem ter aumento de despesas
No setor condominial, o impacto da mudança pode ser imediato. De acordo com Omar Anauate, presidente da Associação das Administradoras de Bens Imóveis e Condomínios de São Paulo, alterações na jornada de trabalho tendem a gerar reflexos diretos nas despesas dos condomínios.
Ele explica que, diferentemente das empresas que operam com margem de lucro e podem absorver temporariamente custos extras, condomínios funcionam por meio de rateio entre os moradores.
“Não há geração de lucro. Qualquer aumento de custo é automaticamente refletido na cota condominial”, afirma.
Segundo o dirigente, a folha de pagamento representa entre 55% e 60% do orçamento mensal de condomínios que possuem funcionários próprios, como porteiros, zeladores e auxiliares.
Em prédios com portaria presencial 24 horas, a cobertura semanal exige 168 horas de trabalho. Caso a jornada individual seja reduzida ou o modelo 6×1 seja extinto, será necessário ampliar o número de funcionários para manter o mesmo nível de serviço.
Estudos do setor indicam que o impacto total pode chegar a até 15% no orçamento condominial, considerando salários, encargos trabalhistas, férias, 13º salário, FGTS e outros custos indiretos.
Tecnologia pode substituir parte da mão de obra
Além do aumento das despesas, especialistas apontam mudanças estruturais na gestão de condomínios. Uma das tendências seria o crescimento da adoção de tecnologias que reduzam a dependência de funcionários presenciais.
Soluções como portaria remota, controle de acesso automatizado e sistemas digitais de monitoramento podem ganhar espaço, principalmente em prédios que buscam reduzir custos operacionais.
Segundo Anauate, esse movimento pode levar, gradualmente, à redução de alguns postos de trabalho, especialmente em funções ligadas à presença permanente em portarias.
Terceirização pode aumentar
Outra possível consequência da mudança nas regras de jornada é a ampliação da terceirização de serviços. Empresas especializadas costumam ter maior flexibilidade para organizar escalas e administrar equipes.
Ainda assim, especialistas do setor alertam que essa alternativa não garante necessariamente redução de custos, já que os reajustes decorrentes da nova jornada também tendem a ser repassados aos contratos.
Escassez de mão de obra preocupa
O mercado condominial também enfrenta dificuldades para contratar profissionais qualificados, como porteiros e auxiliares de manutenção. A necessidade de ampliar equipes pode aumentar a concorrência por trabalhadores, pressionando salários e elevando a rotatividade.
Mesmo modelos alternativos de jornada, como a escala 12×36, não eliminam completamente os custos adicionais. Em um posto de portaria 24 horas, por exemplo, são necessários pelo menos quatro funcionários fixos, além de cobertura para férias e afastamentos.
Pequenos condomínios podem ser os mais afetados
Nos condomínios menores, que geralmente operam com equipes reduzidas, o impacto pode ser ainda mais significativo. Entre as alternativas possíveis estão o aumento da taxa condominial, a redução de serviços ou a adoção de sistemas tecnológicos.
Para o presidente da AABIC, a mudança exigirá planejamento e diálogo com moradores e conselhos administrativos.
“O desafio será equilibrar avanços sociais importantes com responsabilidade econômica, garantindo a continuidade dos serviços essenciais e a sustentabilidade financeira dos condomínios”, conclui.
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